Hiperbárica Natal

1 – “Pé diabético”

Alterações neurológicas, vasculares e ortopédicas causadas pelo Diabetes Mellitus geram hipóxia tecidual e feridas de difícil cicatrização. As queixas dos paciente variam conforme a profundidade e extensão das lesões, se há áreas de necrose, fibrina e secreção sanguinolenta ou purulenta.

Pode haver dor de forte intensidade espontânea ou à manipulação, às vezes incapacitante. Existe infecção secundária geralmente por flora mista bacteriana. Nos casos mais graves pode haver comprometimento sistêmico, SIRS e risco de óbito. A recidiva é frequente e podem ser necessárias amputações desde dedos até todo o membro.

A OHB atua diretamente na lesão, revertendo a falta de oxigênio, acelerando o processo de cicatrização através do retorno da função das células locais, e estimula a neovascularização reduzindo o número de recidivas locais. A OHB diminui a incidência de infecções locais, as internações hospitalares, o número de amputações maiores e o sofrimento do paciente. O tratamento deve fazer parte de um conjunto que inclui: controle metabólico e nutricional, analgesia eficaz, uso de antibióticos, revascularizações se indicadas, curativos adequados e procedimentos cirúrgicos (drenagens, desbridamentos, etc).

2 – Úlceras de pressão (decúbito)

São lesões de origem isquêmica por compressão de tecidos moles contra saliências ósseas, agravadas por diabetes, imunossupressão, edema e desnutrição. Costumam ocorrer em pacientes acamados crônicos e frequentemente com lesões neurológicas associadas (paraplégicos).

Os pacientes apresentas úlceras de extensão e profundidade variáveis, com necrose e infecção secundária. Podem assumir grandes proporções e chegar a exposição óssea. A infecção secundária e necrose podem evoluir para sepse e óbito.

OHB não é indicado de rotina no tratamento das úlceras de pressão, que são habitualmente tratadas com alívio da pressão, desbridamento cirúrgico, antibioticoterapia, suporte nutricional e fechamento cirúrgico quando indicado. A OHB pode ser necessária quando há sofrimento vascular de enxertos ou retalhos, quando a úlcera se desenvolve em local previamente irradiado, quando há progressão da necrose apesar do tratamento instituído ou ainda quando há osteomielite associada.

3- Úlceras de estase

Decorrem da Hipóxia de tecidos da região inferior das pernas por insuficiência venosa crônica com estase.

Os pacientes em geral apresentam úlceras geralmente rasas, com dor variável comprometendo às vezes grades extensões de pele, podendo ser circulares. Podem aumentar e diminuir de tamanho, tornando-se crônicas com facilidade.

O tratamento do edema, da estase e curativos adequados bem como de antibióticos quando há infecção, são primordiais para a cura. O uso de OHB é adjuvante a essas medidas em casos selecionados. As úlceras rebeldes podem necessitar enxertos de pele e nesse caso trata-se de enxerto de risco, sendo portanto uma indicação de OHB, para garantir a integração completa do enxerto.

4 – Úlceras isquêmicas

A Hipóxia tecidual de extremidades decorrente de obstrução de grandes artérias e/ou comprometimento das artérias menores, causadas por doença arterioscleróticas, tabagismo e hipertensão arterial sistêmica.

Os pacientes apresentam úlceras de bordas a pique, de menor extensão e mais profundas, com áreas de necrose e infecção secundária, geralmente muito dolorosas.

O tratamento da obstrução das grandes artérias por meio de angioplastia ou enxerto vascular e o abandono do tabagismo é indispensável para a cicatrização dessas úlceras. O controle da dor, da infecção e os curativos adequados são o tratamento clássico. Nos casos em que a hipóxia persiste e a ferida não cicatriza apesar da revascularização, o tratamento com OHB pode ser de utilidade. A OHB pode também ser indicada como suporte para o caso de se realizar enxerto, para garantir a integração.